A dupla, o grupo e o abismo
Qua, 24 de Março de 2010 12:30
Anderson Rogério de Souza
Você e eu já ouvimos a mesma história: uma mãe aflita chora desesperada pelo filho, ou filha que está se perdendo por causa de um amigo, ou de uma amiga. Tudo começou sem problemas, parecia uma amizade inocente, mas agora está muito, muito ruim! As discussões constantes, a rebeldia, o abandono do lar.
Por mais que “o mundo moderno” diga que isso é um fato que devemos nos acostumar, não é nada fácil para esposas, mães, parentes aceitarem que alguém veio para o centro da intimidade familiar e desnorteou completamente a escala de valores e roubou um ente querido, levando-o para a mais terrível escuridão!
Às vezes foi alguém que chegou e influenciou o seu filho. Tornando-se a dupla da cerveja, da farra noturna, do futebol que acaba em orgias e traições. Ou, às vezes, é um grupo de amigos do serviço, da faculdade, do bairro que levou seu marido, sua esposa e seu irmão em Cristo.
Quando as primeiras discussões começam, acreditamos que com gritos, com castigos, com conselhos e até tratamento psicológico poderemos resolver as coisas. Mas a batalha se trava e se revela incrivelmente pesada e sofrida, com ferimentos na alma, sentimentos e corpo. O abismo tenta engolir tudo o que construímos.
Última atualização ( Qui, 25 de Março de 2010 09:53 )
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Tragédia, milagre e fé
Qua, 24 de Março de 2010 12:23
Ricardo Gondim
Minha vida se organizou também com tragédias. O primeiro grande drama aconteceu na breve existência de minha irmã caçula, que viveu apenas dois dias. Ela se chamava Gelsa, em homenagem a uma tia muito querida; era gêmea do Sergio, que sobreviveu. Recordo nitidamente o desespero que nos sobreveio naquela época. Era véspera do Natal e o papai estava preso; morríamos de medo da polícia política dos ditadores e convivíamos com vergonha social - a vizinhança parava na frente da casa do “subversivo” - rótulo dado aos delinqüentes ideológicos, que mereciam tortura.
Gelsa nasceu sem intestino e com uma hérnia umbilical estrangulada. Veio ao mundo, portanto, já condenada a morrer de fome. Em 48 horas, como os médicos prenunciaram, minha irmã se desidratou; sem conseguir digerir o leite materno, sucumbiu à inanição. Eu a segurei nos braços por apenas 30 segundos. Quando mirei seus olhos fechados, chorei lágrimas pré-adolescentes e provei um sal amargo, que ainda reconheço.
Devolvi a minha irmã para um adulto e saí para fazer a primeira oração consciente que me lembre. Desesperado, clamei a Deus - não recordo as palavras exatas: “Meu Deus, por favor, não deixe a minha irmã morrer; não permita que a mamãe sofra mais; na cadeia o papai não vai agüentar”.
Não fui atendido. Deus não respondeu. Os céus se blindaram à voz de uma criança. Dois dias depois, nossa família aflita chorou ao lado da sepultura.
Última atualização ( Qui, 25 de Março de 2010 09:49 )
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Filhos no reinado
Qua, 24 de Março de 2010 12:01
Marcelo Ferreira
Como a falta de limites aos filhos podem transformar esses pimpolhos em tiranos
A cena se repete todos os dias e em todos os lugares onde é possível estabelecer e expandir seu reinado. Bastam apenas alguns berros, algumas estripulias e a guerra está ganha. Os pais pedem, imploram e até ameaçam, mas nada ou ninguém parece detê-los. Sequer sentem-se intimidados. Quando já estão cansados e esgotados, sem forças para resistir, os pais rendem-se à tirania dos desejos dos filhos. “Tudo bem! O que vocês querem? Peçam o que quiserem. Mas só dessa vez, hein!”. A essa altura, a “guerra”, mais uma vez, foi ganha. A comparação pode parecer um exagero, mas é exatamente assim que acontece. Todos nós já presenciamos aquela corriqueira e conhecida cena que acontece num supermercado, num shopping, numa loja de brinquedos e quem sabe até mesmo na igreja, quando o menino ou a menina deseja algo que os pais não podem ou não querem dar-lhes. A batalha então é deflagrada. A partir desse momento, eles, os filhos, lutam com todas as “armas” que têm e querem: gritam, choram, esperneiam e chegam ao extremo da agressão. Tudo para manter os pais, ou quem estiver com eles, sob o mais absoluto controle. A fim de evitar o constrangimento – ou mesmo porque não sabem o que fazer na hora – os pais ou os responsáveis logo se rendem aos caprichos e manhas dos filhos. A essa altura, o controle e autoridade já viraram lenda, e eles - os filhos - continuam no poder. Filhos agressivos, rebeldes, insubmissos, teimosos. Por que isso acontece? Há diversos fatores que podem estar em jogo. Contudo, há um que parece, em muitos casos, justificar esse comportamento hostil, desafiador e agressivo: a falta de limites equilibrados que os pais deixam de impor aos filhos. O que fazer? Como reverter tal situação? O que pensam os profissionais da área sobre o assunto? A presente reportagem não tem a pretensão de esgotar o assunto, até mesmo porque é vasto e polêmico. A intenção é a de trazer à reflexão algo que tem preocupado não só os pais, mas os educadores e especialistas sobre o assunto: a falta de limites na educação das crianças. Numa época em que a delinqüência infanto-juvenil é cada vez maior e os valores são cada vez mais relativos, impor limites é algo necessário e urgente. Antes que os pequenos pimpolhos se transformem em pequenos tiranos, e se perpetuem no poder.
Última atualização ( Qui, 25 de Março de 2010 09:50 )
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