Depois de poupar a vida de Saul demonstrando que não era seu inimigo, Davi perguntou ao sogro: “Contra quem saiu o rei de Israel? A quem está perseguindo?” Para espanto e vergonha de Saul, Davi mesmo respondeu: “[O rei está perseguindo] a um cão morto! A uma pulga” (I Sm 24.14)
Além de inglória, a guerra de Saul contra Davi era ridícula e muito mais desproporcional do que a luta travada por um jovem roceiro que nunca havia vestido uma armadura militar contra o arrogante filisteu que media dois metros de altura (segundo a Septuaginta). Pois, mesmo considerando os seiscentos homens que se agregaram a Davi, o exército de Saul era cinco vezes maior (três mil dos melhores soldados de Israel). Na verdade, o rei estava caçando pulga no deserto de En-Gedi. Quanto tempo, quanto esforço, quanto dinheiro perdido para pegar um insetozinho de pernas compridas e que gosta de pular!
O problema mais grave é que a loucura de Saul é a nossa loucura. Com muita facilidade e com muita freqüência transformamos uma simples pulga em leão bravio, uma minhoca em cascavel, uma sardinha em monstro marinho. Aumentamos o número e a altura dos gigantes da terra prometida e não damos atenção ao tamanho do cacho de uvas que dela trouxemos (Nm 13.23, 31-33). Choramos a noite inteira e a madrugada inteira por causa da pedra “muito grande” que estava sobre o túmulo de Jesus e não levamos a sério a ressurreição do Senhor. (Mc 16:1-7)
Somos ótimos caçadores de pulgas e péssimos crentes. Temos inveja e ciúmes daqueles que estão sendo abençoados e agraciados por Deus. Não sabemos nos alegrar com o sucesso alheio. Não confessamos essa dificuldade nem buscamos cura para ela. Optamos pela loucura e pelo ridículo. Tornamo-nos infelizes caçadores de pulgas e nos desgraçamos progressivamente até — quem sabe — nos jogarmos sobre a própria espada, como aconteceu com o rei de Israel (1 Sm 31.4)!
(Revisa Ultimato)
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