“Perguntou, pois, o Senhor a Caim: onde está Abel, teu irmão? Respondeu Caim: não sei, sou eu por acaso o guarda do meu irmão?” (Gn 4:9)
Às vezes nós pensamos que não temos nada a ver com a vida dos outros. Isso seria verdadeiro e justo se dissesse respeito à mera curiosidade ou a inclinação para fofocas, maledicências, intromissão e julgamentos precipitados. De fato, diante dessas coisas que desagradam o coração do Pai, devemos permanecer distantes.
Porém, no que diz respeito à preocupação com a vida daquele irmão que estava próximo de nós; daquela vida que não sabemos mais para onde foi; daquelas pessoas que já estiveram tão perto, mas que as tristezas da vida e a vergonha do pecado fizeram com que se afastassem; enfim, pense naquelas pessoas que um dia você amou ou estiveram próximas de você. Pois bem, em favor delas, a voz de Deus ecoa: “onde está o seu irmão?”. Quando Deus nos faz esta pergunta, não podemos dar a Ele a resposta de Caim.
Não podemos ser indiferentes à voz de Deus que ainda hoje ecoa pelos quatro cantos da Terra; sim, porque a Bíblia fala que o sangue de Abel clama por justiça, e o próprio Jesus nos afirma que esta geração adúltera e perversa prestará contas do sangue de Abel (Lc 11:51).
Talvez pensemos que já fizemos muito por aquele irmão, e se ele desistiu de Deus o problema é dele, e não nosso. Não podemos esquecer que o sangue inocente de Jesus foi derramado como sacrifício mais excelente do que o de Abel (Hb 12:24). E foi derramado não só por você, mas também pelo seu irmão e por toda a humanidade.
Isso significa que temos, sim, responsabilidade pela vida de nossos irmãos. Devemos buscá-los; devemos ter compromisso em evangelizar; devemos amá-los de tal modo que possamos apresentar a Deus a vida deles quando ele nos perguntar: “onde está o seu irmão?”
Pr. Marcelo
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